Morreu
a cantora sul-africana Miriam Makeba
Fonte: Publico
Itália - A “Mamã África” não resistiu a um ataque cardíaco depois de um
concerto. A cantora sul-africana Miriam Makeba, conhecida como “Mamã África”
faleceu esta noite aos 76 anos, depois de actuar num concerto em Nápoles,
Itália, informou hoje o seu agente a uma rádio local.
A artista participava num evento contra o racismo e o crime organizado, em
apoio ao escritor Roberto Saviano, autor do famoso livro “Gomorra” sobre a
máfia italiana. Enquanto agradecia ao público, Makeba sentiu-se mal e
desmaiou. Viria depois a falecer durante a noite em resultado de um ataque
cardíaco no hospital de Castel Volturno. Já há alguns anos que a cantora
sul-africana tinha problemas de saúde.
Miriam Makeba nasceu a 4 de Março de 1932 nos subúrbios de Joanesburgo. Foi
a primeira mulher cantora negra da África do Sul a conseguir obter
reconhecimento internacional e era também conhecida como um ícone da luta
contra o "apartheid".
O seu primeiro sucesso foi alcançado ao lado do grupo “The Manhattan
Brothers” em 1959. No ano seguinte, quando tentou regressar ao seu país para
assistir ao funeral da mãe, o governo sul-africano impediu-a de entrar e
pouco tempo depois a sua música foi proibida.
Em resultado, Miriam Makeba viveu 31 anos em exílio nos Estados Unidos,
Europa e na Guiné, até voltar à sua terra natal em 1990, a pedido de Nelson
Mandela.
A sul-africana foi também a primeira mulher negra a ganhar um Grammy (o mais
prestigiado prémio de música), honra que partilhou com o cantor
norte-americano Harry Balafonte em 1965. Dois anos depois conseguiria
alcançar a fama internacional ao gravar “Pata Pata”, uma música inspirada
nas danças dos subúrbios de Joanesburgo.
Em 1968, casou-se com Stokely Carmichael, líder do grupo "Panteras Negras" (partido
negro revolucionário norte-americano), o que fez com que a sua editora
decidisse rescindir o contrato.
Na sua autobiografia, Makeba diz, citada pelo “El País”: “Eu preservei a
minha cultura, preservei a música das minhas origens. E, graças a isso,
consegui converter-me nesta voz e imagem de África e do seu povo, sem ser
consciente do meu feito”.
Em anexo uma das canções que a projectou a nível mundial:
