Aprovação
da futura Constituição vai marcar início da III República
Angop
O presidente do Tribunal
Constitucional, Rui Ferreira, considerou, em entrevista à Angola
Press, que a aprovação da Constituição pelo actual Parlamento
vai dar início à terceira República.
"Será esta Constituição, em meu entender, que vai dar início a
III República e marcar o fim desta transição constitucional,
pois as eleições legislativas não terminaram com a transformação
iniciada 1991", disse o juiz.
Ao debruçar-se sobre o papel do TC na elaboração do referido
diploma, Rui Ferreira, que integrou a equipa proponente do ante-projecto,
explicou que o órgão vai verificar a observação dos princípios
previstos para aprovação da futura "Lei Mãe".
"A Lei Constitucional actual, no seu artigo 159, enuncia os
princípios que a Constituição tem que respeitar, tais como a
Independência, Integridade Territorial, Unidade Nacional,
Direitos Fundamentais dos Cidadãos, Estado de Direito,
Democracia, Laicidade do Estado, Sufrágio, Separação entre o
Estados e a Igreja", esclareceu.
Comparando a actual Lei Constitucional e o projecto em
elaboração, o presidente do TC disse que este será um diploma
diferente na forma de organização e funcionamento do Estado, do
sistema de Governo, dos órgãos do poder local e das garantias
dos direitos e liberdades dos cidadãos.
"É, no fundo, um enunciado de coisas diferentes que mostram a
necessidade que o país tem de ter uma nova Constituição",
sublinhou.
O Tribunal Constitucional iniciou as funções em Junho deste ano
e tem como competências assegurar a constitucionalidade das
leis, decretos-lei, decretos, resoluções e tratados
internacionais ratificados, bem como verificar o cumprimento da
Constituição por omissão das medidas necessárias para tornar
exequíveis as suas normas.
É sua esfera de actuação também pronunciar-se em matérias
eleitorais, de partidos políticos e de contencioso parlamentar,
além de decidir sobre candidaturas presidenciais e para
deputados, regularidade de actos eleitorais, constituição,
extinção e conflitos internos em partidos, assim como a perca de
mandato na Assembleia Nacional, entre outras